Tive, recentemente, duas aulas sobre a Teoria Cognitivista. Não me sinto à vontade para falar muito sobre ela ou dar a minha opinião (venho praticando o desapego a velhos hábitos, dentre eles, aquele que me foi passado pela profissão que escolhi, a de jornalista, que é o de 'tudo saber', 'sobre tudo opinar'). O fato é que na última aula, o professor falou sobre os grupos sociais e a necessidade que o ser humano tem de pertencer a eles. De como nos causa sofrimento o sentimento de não fazer parte e de como nos esforçamos para agradar àqueles que integram o grupo. Especialmente, tratando-se de um grupo comunal (amigos, família, etc).
Segundo o que foi apresentado, a partir do momento em que a pessoa não se esforça para fazer parte, quando se sente afastada do grupo e não liga muito, caracteriza-se um processo de adoecimento psíquico. O contrário não é doença: é bem saudável, segundo o Caetano Dell'Aglio (o professor), uma pessoa se esforçar DEMAIS para fazer parte, mesmo que parta para uma atitude sem noção.
Ok, sou saudável, mas não quero ser sem noção (avisem!)
Outro aspecto que me chamou a atenção (como se a esmagadora maioria das coisas em psicologia não me chamasse atenção. Escolhi MUITO a faculdade errada) foi o fato de que as pessoas que sofrem rejeição em seus grupos acabam criando uma sensibilidade social muito maior do que as que sempre foram aceitas.
Ok, tenho uma considerável sensibilidade social.
Deixando de lado a minha auto-análise (melhor coisa em aula de psicologia), o motivo deste post é registrar minha profunda decepção e alguma indignação com pessoas que lutam e lutam e lutam para ficarem "parecidas" com outras, que tentam incessantemente fazer parte de algo de forma exagerada e artificial. Achei sensacional uma frase do Caetano (o professor) e gostaria de aplicá-la a mim tanto quanto possível:
- "Não adianta ficar querendo agradar sempre. A maior parte das pessoas no mundo não vai gostar de você. Na verdade, a maioria ignora a sua existência. Uma parcela muito pequena realmente se importa e gosta de você. O melhor a fazer é viver a sua vida e buscar a satisfação pessoal. Não que se deva viver sem ligar para os outros, mas agradar a todos não pode ser a sua maior preocupação."
Tenho procurado manter isso em mente. Agora de forma bem mais clara.
32 comentários:
não falha nunca. só pelas explicações, eu já tô revirando os olhos, aqui.
RONC.
Pera lá, pera lá: não se esforçar pra pertencer a um grupo idiota é doença, e fazer de tudo (inclusive ser um imbecil) pra participar de um desses amontoados não é?
Ou entendi muito errado, ou estou muito doente psiquicamente, ou todo mundo é neurótico, acha isso legal e eu sou o único são.
COMOFAS?
Tu sabes que eu tenho me policiado muito pra evitar essa coisa de "não fazer questão de permanecer a nenhum grupo". Por mim, viveria numa montanha..rsrsrsrs Como não dá pra ser o tempo todo assim, tenho me esforçado..mas sou meio doente,sim! rs
Solon: vá dormir na sua caminha então. :P
Bruno: em nenhum momento eu falei grupo idiota. Mas se os teus amigos ou os teus colegas de trabalho resolvem te excluir e, BELEZA, tu não fazes nenhum movimento para recuperar o teu lugar (especialmente entre os amigos), é, segundo esta teoria, um adoecimento psíquico.
Deysi: entendo. :P
BRUNO: não faz. walk on.
Adoeci. Morri.
Solon: ssscchhhhhhh. quieto!
Bruno: faz sim. talvez tu nunca tenha te sentido excluído de um grupo que te IMPORTA.
Ei, não exclui o blog não. Ja pensei em fazer isso várias vezes com o meu, mas nem vale. Não sei qual seu motivo pra isso, mas não exclui.
Por mais batido que isso seja, o que o professor Cetano disse é fato.
Beijo
Tu ta estudando Psicologia, Anna? Se sim, que massa. Unico curso que cogitaria cursar agora.
No mais, vamos brincar de rotulos:
Solon: NEGADOR
Bruno: o nome do teu comportamento eh SINDORME DE BLASE. laksjdla
(o Solon nao tenho como defender, mas em defesa do Bruno direi que tambem nao entendi muito esse adoecimento psiquico, principalmente a parte de ter uma atitude sem nocao).
Passei A VIDA TODA sendo excluído de grupos que me importavam. Geralmente, me esforçava um pouco, mas se falhava miseravalmente, como o Solon disse: walk on.
Tudo o que acontece é bom. Todo mundo morre no final. Sucesso. Abraço.
Não exclui o blog!!!!
Cris e Douglas: não pensei em excluir, só em dar um tempo nas postagens. Não decidi ainda, mas valeu pela FORÇA!
EGS: não, ainda não estou estudando psico, nem farei a graduação, talvez um pós. Tentarei explicar melhor em outro post. Mas o fato é que pessoas que tendem a se isolar e não conviver socialmente em grupos são menos saudáveis que aqueles que fazem de tudo para fazer parte da turma, que são muito salientes. Sabe o chato que quer sempre ser teu amigo? Esse.
Só assim, pessoas, isso é o que diz a teoria cognitivista. Não é definitivo, nem a única explicação. É só uma leitura.
Bruno: tu, imagino, é alguém que tem sensibilidade social. Não é difícil notar a introspecção e tal, mas não me venha com CHURUMELAS de que não é uma pessoa que conviva em grupos ou que não se importaria de ser excluído (nem tu, Solon). Como tu mesmo disseste na sexta: vocês não são meus únicos amigos. :P
Solon: teu grupinho nerd é um grupo social que tu adora fazer parte. :P
fazer parte de um grupo (ainda mais em tempos de pós-modernismo e web 2.0, hohohoho) e se preocupar em ser aceito por ele são coisas completamente diferentes.
não sei o Bruno, mas eu não estou fazendo a apologia do ermitão. só acho que ficar se preocupando em ser aceito por um grupo aspiracional, ao invés de simplesmente reconhece-los por indignos da tua companhia e seguir adiante, é "psychobabble", pra usar uma palavra que adoro.
Tambem ja fui excluido em varias oportunidades, mas o que as vezes a gente nao se da conta eh que acaba se aproximando uma hora ou outra de um grupo que nos mostra alguma semelhanca, mesmo sem fazer esforco.
Todo mundo pertence a algum grupo. Quem nao pertence esta sendo egoista.
Sim, Lollon, concordo com a parte de que "ficar se preocupando em ser aceito por um grupo aspiracional, ao invés de simplesmente reconhece-los por indignos da tua companhia e seguir adiante" é o melhor. Inclusive falei isso ali no post. A "questã" é que tu pode não perceber, mas tu te esforça e te preocupa para fazer parte dos grupos com os quais tu te identifica. Mesmo que minimamente, assim como o Bruno. Por exemplo, tu vai querer saber dos assuntos tratados neste grupo, estar informado, para poder discutir. Isso já é um esforço para fazer parte.
EGS: esses são os chamados grupos comunais, como eu disse. São os de "amigos", pessoas com as quais tu te identifica. E, mesmo nesses, onde a coisa flui naturalmente, existe uma preocupação em fazer parte. A preocupação que eu falo, entendam, não é uma preocupação constante, do tipo "como eu posso fazer para agradá-los, para ser convidado para as coisas, para ser lembrado e aceito". Mas tu te adapta e faz concessões (até de aparência) para te integrar.
O que eu quis dizer com o post é que eu sou, como bem sabe o Solon, por exemplo, "carente" e seguidamente forço a barra para conseguir me integrar, mesmo que às vezes seja desnecessário (sim, tem gente que me acha legal naturalmente). O que eu quero (e conto com a ajuda de todos) é me importar menos em agradar aos outros e estar com aquela parcela mínima de pessoas que realmente se importa e gosta de mim (uh! profundo). É por aí.
"A 'questã' é que tu pode não perceber, mas tu te esforça e te preocupa para fazer parte dos grupos com os quais tu te identifica."
e aí começa o meu problema com psicologia. não interessa o que a pessoa diz ou acha, o psicólogo ou psiquiatra é que sabe o que se passa na tua cabeça, porque assim está escrito em algum livro.
lembrando, solon, que o está escrito assim em algum livro não foi simplesmente jogado ali. alguém estudou e discutiu bastante para chegar àquela conclusão, que não é definitiva, é só uma hipótese (hipótese esta que eu estou discutindo aqui). pode não te agradar, mas é uma ciência.
o psicólogo/psiquiatra, os bons pelo menos, não SABEM o que se passa na tua cabeça. eles eventualmente apenas te mostram um caminho possível para que tu descubra e resolva sozinho algumas coisas.
quanto a este tópico específico que nós estamos discutindo, é uma questão de psicologia SOCIAL, que é a que mais me agrada. aqui, não se trata dos indivíduos como algo em separado, e, sim, como parte de uma sociedade. então não é o que se passa na TUA cabeça, mas sim uma forma de comportamento meio geral das pessoas.
enfim, tu não acha legal que um tema que tu abomina tanto seja o único que te faz ficar opinando neste brógue? eu acho. smack!
vamos analisar isso, lolon.
"pode não te agradar, mas é uma ciência".
é exatamente isso que não me agrada. na maior parte dos casos, não é ciência. psicanálise já mereceu até capítulo em livro do Popper como exemplo de pseudociência.
sei que cognitivismo, em sua origem, é extremamente científico. mas não sei como fica a pobre ciência na transformação de uma teoria (um pouco ultrapassada, diga-se de passagem) sobre aquisição de informação em uma escola de psicoterapia.
daonde minha insistência no assunto.
Bueno, mas aí são outros quinhentos (resgatarei esta expressão). A psicanálise é somente uma teoria e não resume toda a psicologia. Também não me atrai muito e não entra no que eu falei ali no post.
Creio, sim, que psicologia é uma ciência. Das humanas, é claro, as que tu não aprecia de um modo geral. :P Acho que as teorias são úteis para entender uma série de comportamentos, tanto da sociedade, como do indivíduo.
E, por fim, a tua crítica ao ensino da psicologia não seria a mesma do ensino do jornalismo, da publicidade, etc. Solon, teu problema é com as ciências sociais.
Vamos ter que trabalhar esta tua negação da psicologia.
mas a minha crítica ao ensino do jornalismo é exatamente pelo fato de ele ser técnico, ao invés de devidamente acadêmico. não tenho nada contra ciências sociais, muito pelo contrário.
também nunca disse que psicologia, lato sensu, não é ciência. não adianta ficar tentando me fazer desistir de discussão travestindo ataques ad hominem em simplificações das minhas opiniões.
eu até tenho minhas restrições a coisas como psicotécnicos e testes de QI (leia-se que, por serem baseados em estatística, sempre haverá aqueles que ficam fora do seu escopo), mas não digo que não se trata de ciência ou que não é algo importante.
o problema se resume às psicoterapias. e não se trata de dizer que não funcionam, ou coisa parecida, apenas que não se trata de ciência mas de fé.
jamais tentaria simplificar as tuas opiniões. só quero entender o que te contraria tanto na psicoterapia e o que fundamenta a tua opinião, já que tu nunca experimentaste.
o que me contraria, em resumo, é a usual falta de ciência em algo que se propõe a ser medicina.
a razão para tantos comentários neste post, em específico, é tentar entender baseado em que alguém pode afirmar que "a partir do momento em que a pessoa não se esforça para fazer parte, quando se sente afastada do grupo e não liga muito, caracteriza-se um processo de adoecimento psíquico".
porque, para mim, parece uma enorme bobagem. porém, como não estamos tratando de opinião e sim de algo que se vende como método baseado em ciência, fico querendo saber de onde sai uma conclusão dessas.
"Vamos ter que trabalhar esta tua negação da psicologia."
MORRI. Anna, obrigado por existir.
"e não se trata de dizer que não funcionam, ou coisa parecida, apenas que não se trata de ciência mas de fé.
Fe + Ciencia = O CAMINHO
E aproveito essa discussao para nao contribuir em nada, fazendo apenas declaracoes cabais:
JUNG > TODOS os pesquisadores de todas as ciencias juntas.
É, EGS, é que a negação do Solon à psicologia é realmente ASSUSTADORA. Jung, The Fodon.
Lolon, vou fazer a faculdade só para implicar contigo. Faz assim, eu obviamente respeito a tua posição, embora discorde absolutamente dela. Sem ciência nenhuma, acho, sim, estranho pessoas que se isolam totalmente do mundo. NÃO É NORMAL. Historicamente, sabe-se que o homem é um ser social. Se ninguém tivesse estudado isso ainda, eu morreria de vontade.
"Sem ciência nenhuma, acho, sim, estranho pessoas que se isolam totalmente do mundo. NÃO É NORMAL."
e não ser normal é estar doente? vais dar uma ótima psicóloga, de fato.
Smack em ti, revoltatinho da grow. Fugiu completamente de uma discussão racional. Não sou AS nem SB. Parei.
ANNA: é que tu passou pro campo da opinião. do que TU acha. fiz o mesmo. porém, continuo interessado em saber de onde saem aquelas conclusões.
EGS: eu curto Jung.
vocês são todos loucos, vão todos operar a cabeça JÁ ;p
Que bom que a Maria chegou, ja tava virando um clubinho isso aqui!
inha, inha, inha, Maria é rainha. :P
OI, É AQUI QUE TÃO FAZENDO POLENTA BRUSTOLADA?
Sim. Entra e fica à vontade.
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